jueves, 19 de marzo de 2026

Poema de la estación de Astapovo

 

 

Mario Quintana


El viejo Lev Tolstoi huyó de casa a los ochenta años

y fue a morir a la estación de Astapovo.

Seguramente se sentó en un viejo banco

uno de esos viejos bancos abrillantados por el uso

que existen en las pequeñas estaciones del mundo

contra una pared desnuda.

Se sentó y sonrió amargamente

pensando que

de toda su vida

apenas quedaba la Gloria

esa ridícula matraca llena de cascabeles 

                            y cintas de colores

en las manos esclerosadas de un anciano decrépito.

Y entonces la Muerte 

al verlo tan solo a aquella hora en la estación desierta

consideró que él estaba allí a su espera

cuando solo se había sentado a descansar un poco.

La Muerte llegó en su antigua locomotora

(siempre llega puntualmente en la hora incierta…)

Aunque tal vez no pensó en nada de eso, el gran Viejo

y quién sabe si hasta murió feliz: él huyó…

él huyó de casa…

él huyó de casa a los ochenta años de edad…

¡No todos realizan los viejos sueños de la infancia!

 

Poema da Gare do Astapovo

 

O velho Leon Tolstoi fugiu de casa aos oitenta anos

E foi morrer na gare de Astapovo!

Com certeza sentou-se a um velho banco,

Um desses velhos bancos lustrosos pelo uso

Que existem em todas as estaçõezinhas pobres do mundo,

Contra uma parede nua...

Sentou-se... e sorriu amargamente

Pensando que

Em toda a sua vida

Apenas restava de seu a Glória,

Esse irrisório chocalho cheio de guizos e fitinhas

Coloridas

Nas mãos esclerosadas de um caduco!

E então a Morte,

Ao vê-lo sozinho àquela hora

Na estação deserta,

Julgou que ele estivesse ali à sua espera,

Quando apenas sentara para descansar um pouco!

A Morte chegou na sua antiga locomotiva

(Ela sempre chega pontualmente na hora incerta...)

Mas talvez não pensou em nada disso, o grande Velho,

E quem sabe se até não morreu feliz: ele fugiu...

Ele fugiu de casa...

Ele fugiu de casa aos oitenta anos de idade...

Não são todos os que realizam os velhos sonhos 

                                        da infância!


Versión: Pedro Marqués de Armas 



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